Nunca sorriu! Jamais na sua boca
Um sorriso, que é luz cantante, um dia
Alou, como a dourada e linda e louca
Borboleta, na rosa que inebria.
E a sua voz era sinistra e rouca
Como a da água descendo a penedia.
Pouca importância dava às outras, pouca,
Numa expressão de gélida ironia.
Nunca sorriu! Nunca sorriu! Jamais!
E também nunca teve aflitos ais,
Soluços, gritos de emoção veemente!
No entanto, agora, pelo cemitério,
Ei-la a sorrir, assim, no atro mistério
Da morte; e vai sorrindo eternamente!