O largo ocaso é todo umas rosas vermelhas
Desfolhadas na serra... E lá, ao longe, o rio
Recorda uma serpente enorme, junto às velhas
Casas da freguesia. Arfa por tudo o estio.
Tremem, como do mar as ondas, as ovelhas
Em rebanhos, no campo. O sol de ouro, erradio,
Brilha nos laranjais. Pelo ar, quantas abelhas!
E a cigarra parece a luz em murmúrio...
Mas, o que mais me encanta, entre tudo, querida,
É a casa toda branca, alegre e florescida,
Banhada do clarão dos teus olhos risonhos,
Onde teces, ó minha antiga tecedeira,
Véus de esperança para a nossa vida inteira,
No bendito tear dos teus e dos meus sonhos.