Vive no escuro, para sempre, eterno,
Profundamente, o ser a quem a descrença
Envolve em toda a sua nuvem densa,
De atormentante, pavoroso inverno.
Escuro deve ser, também, o inferno,
Todo cavado numa dor imensa.
Leito do tédio, da fatal doença!
Boda negra, sem gotas de falerno!
Escuro, escuro, para sempre escuro,
Há de o caminho ter quem, mais seguro
Ao pessimismo, do que a um baraço
Vai, deste mundo, pela longa estrada,
Com a própria cabeça acorrentada,
Jungida aos pés, e braço contra braço!