Eu me julgava quase abandonado
Num campo de urzes e cruéis tormentos.
Sobre o meu pobre coração cansado
Hieroglafavam corvos augurentos.
Cada passo que eu dava era arrimado
À própria dor e aos fundos desalentos.
Cego tateava um túmulo cavado
Numa rua varrida pelos ventos.
Nessa jornada, totalmente à míngua
Senti o coração; e a minha língua
De todo retalhada à sede louca.
Nisso teu vulto assoma, e é quando, pasmo,
Encontro nos teus seios um pão asmo;
E uma fonte corrente em tua boca.