Ia o meu coração cheio de encantos, ia
Pleno do que de amor um pássaro sonhasse
Na fulva irradiação puríssima de um dia
Que de flóreos trigais os campos alastrasse.
Dentro em meu coração seguidamente havia
A doçura do mel, que um favo derramasse
Para me ver gozar a mais viva alegria,
Para que, assim, minha alma um bálsamo gozasse.
E a dor? O que era a dor nos sublimes arcanos
Desse gozo? E os letais, venéficos, insanos
Vermes verdes do tédio, o símbolo do horror?
Mas agora, que todo esse gozo anda longe,
Veste o meu coração o atro burel de um monge,
E, para então viver, vive na própria dor.