Skip to content
1865–1927

Na pobreza

Juvêncio de Araújo Figueredo

Pelos furos que havia ao correr do telhado De urna casa de estuque, é que a lua espiava Para dentro do quarto onde há dias se achava, Numa cama sem colcha, o meu filho adorado.

E nessa cama pobre, o meu filho, assaltado De um ataque febril, quase de morte, ansiava... Nem candeia de azeite uma luz projetava; Nem vela de vintém, para eu vê-lo, coitado.

E se não fosse o branco e acariciante brilho Dessa luz piedosa, ó meu querido filho, Eu, que te via assim ante a minha alma louca, Nem pudesse levar, talvez, cheio de tédio,

De momento em momento, as gotas de um remédio À rosa ainda em botão da tua linda boca.

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
Na pobreza · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove