Pelos furos que havia ao correr do telhado
De urna casa de estuque, é que a lua espiava
Para dentro do quarto onde há dias se achava,
Numa cama sem colcha, o meu filho adorado.
E nessa cama pobre, o meu filho, assaltado
De um ataque febril, quase de morte, ansiava...
Nem candeia de azeite uma luz projetava;
Nem vela de vintém, para eu vê-lo, coitado.
E se não fosse o branco e acariciante brilho
Dessa luz piedosa, ó meu querido filho,
Eu, que te via assim ante a minha alma louca,
Nem pudesse levar, talvez, cheio de tédio,
De momento em momento, as gotas de um remédio
À rosa ainda em botão da tua linda boca.