Tempo de pescaria. A praia do mar-grosso
É uma concha de prata, à luz suave da tarde
Que, entre sedas em fogo e áureos veludos, arde...
E corre pela praia um bizarro alvoroço.
Já retiradas são do amoroso balouço
As redes dos varais, que o tempo frio encarde.
E ali mais adiante, a lancha Deus te Guarde
Beija as ondas que, então, formam na costa um poço.
Deitados na alva areia, os rudes pescadores
Contam, tranquilamente, os seus sonhos de amores,
E olham, de quando em quando, o sinal do vigia.
E, quando no alto morro o sinal aparece,
Descem todos ao mar e vão colher a messe
Que enche as mesas de paz e límpida alegria.