Corta o grande silêncio astral da noite bela
O festivo cantar estridente dos galos.
E vem do mar, e vem do campo, e vem dos valos
Um perfume sutil, enquanto o céu se estrela.
Tilinta, vibra e canta o sino da capela,
Corre, por todo o espaço, o som dos seus badalos;
E desce, alegre, em festa, em contínuos regalos,
Ruidoso, salta, ri, o povo tagarela.
É noite de Natal. E, na vila, nenhuma
Casa existe sem pão, sem vinhos derramados,
Em toalhas da cor da mais nevada espuma.
Menos esta na qual teus olhos angustiados
Choram, na imensa dor que o teu peito averruma,
A atroz separação dos teus filhos amados!