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1865–1927

Na ermida da crença

Juvêncio de Araújo Figueredo

Da ermida onde nós oramos Os horizontes fitamos... A ermida da nossa crença Está numa altura imensa.

É-lhe a fé toda a argamassa; E nas torres se entrelaça, Como um Arco de Aliança, A bandeira da Esperança,

Desfraldada aos quatro ventos Dos nossos padecimentos, Para que eles se transformem Em alegrias, e formem

O halo das nossas frontes, Pela luz dos horizontes... Da ermida onde nós oramos Os horizontes fitamos;

E nas suas lindas cores Bendizemos nossas dores. Nossas lágrimas, choradas Pelas mais negras estradas.

Nossos clamores convulsos, E os elos dos nossos pulsos. Nossos olhos apagados; Nossos ouvidos fechados;

E os nossos próprios cabelos No polvo dos pesadelos; Nossa boca no vinagre; E nossas faces no ozagre.

Nossas linhas do pescoço Na algema de um calabouço. Nossos corações pulsando Em mágoas, de quando em quando;

Nossos frágeis, flébeis braços Estendidos aos espaços. Nossos rins sem energias; Nossas pernas doentias.

Nossos pés todos feridos Nos cascalhos esquecidos No chão dos ínvios caminhos Atapetados de espinhos.

Mas, da ermida onde oramos, Os horizontes fitamos; E, unidas, nossas almas Como veem floridas palmas

Nesses largos horizontes Que dão halo às nossas frontes Para que um dia possamos, Sim, nós dois que nos amamos,

Subir, ao clarão de um dia, Aos pés da Virgem Maria, E receber os afagos Dos seus lindos olhos magos,

E pedir-lhe, eternamente, Com sentimento profundo, Não se esquecer dessa gente Que anda sem crença no mundo.

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