Quem pregou nessa cruz esses teus frágeis braços?
Quem te lançou à boca a esponja da tortura?
E sobre o teu anseio a mudez dos espaços?
E diante dos teus pés uma planície escura?
Quem te rasgou do peito, a execrandos lançaços,
Todo esse coração onde a tua alma, pura,
Sonhava a doce paz bendita dos regaços;
Todo o meigo e efluvial clarão de uma ventura?
Ah! quando o fundo olhar nesses tormentos cravo,
De tudo me recordo; e essas tristezas cavo,
Como quem cava o chão frio de um cemitério.
Numa hora de repouso, e de recolhimento,
Eu sei o que é a dor, de momento a momento,
Passando sobre ti no seu carro funéreo.