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1865–1927

Na cruz

Juvêncio de Araújo Figueredo

Quem pregou nessa cruz esses teus frágeis braços? Quem te lançou à boca a esponja da tortura? E sobre o teu anseio a mudez dos espaços? E diante dos teus pés uma planície escura?

Quem te rasgou do peito, a execrandos lançaços, Todo esse coração onde a tua alma, pura, Sonhava a doce paz bendita dos regaços; Todo o meigo e efluvial clarão de uma ventura?

Ah! quando o fundo olhar nesses tormentos cravo, De tudo me recordo; e essas tristezas cavo, Como quem cava o chão frio de um cemitério. Numa hora de repouso, e de recolhimento,

Eu sei o que é a dor, de momento a momento, Passando sobre ti no seu carro funéreo.

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