Conto na vida muitos desenganos;
Profundas ilusões, vagos lampejos,
Que me amortalham todos os desejos,
Mesmo na rubra e bela flor dos anos.
Passam junto de mim, abrindo os panos,
As galeras das ânsias, em bordejos...
Lembram, no mundo, lúgubres adejos
De tenebrosos pássaros insanos.
São os meus sonhos, rútilos e castos,
Que assim vão a rolar por esses vastos
Mares revoltos... Vai-se tudo... tudo.
E eu a pedir ao coração que chame
Pela esperança, e em sua luz se inflame...
E ele, na praia da descrença, mudo!