É meia-noite. Canta o galo no poleiro.
Ouves cantar? Cantou o galo do vizinho.
E, ao raiar da manhã gloriosa, bem cedinho,
Quantas exclamações por esse mundo inteiro!
No entardecer não viste, à sombra do salgueiro,
Perto dum batelão de altas velas de linho,
Um rapaz que possui uns olhos cor de vinho,
Cabelo em caracóis, espigado e trigueiro?
Namora loucamente, ousadamente, a filha
Mais moça do Sabino, e veio ontem da Ilha
Do Arvoredo, na qual viu todo o seu destino...
E, na verdade, quando amanheceu, na vila
Sempre boa e pagã, sempre humilde e tranquila,
Ninguém mais avistou a filha do Sabino.