Nem quatro palmos tem, Maria Helena,
E eu já lhe vejo uma alma de eleição,
Meiga, suave, límpida e serena,
Como a água sagrada do Jordão.
Chama as bonecas, como ao som da avena
Chama a pastora a ovelha, no sertão,
E lhes dá mantos lindos, de açucena,
No aprisco de ouro do seu coração.
Permita todo o céu estrelejado
Que a minha neta veja-me ao seu lado
Ainda algum tempo, embora bem velhinho,
Trêmulas as pernas, trêmulos os passos,
Trêmula a fronte, e ambos os meus braços,
Mas todo ungido pelo seu carinho.