Vivo a sonhar com mares procelosos,
Que das curvas das praias alvadias
Sobem sinistramente aos alterosos
Montes, e às mais altivas penedias...
Ventos rugem, fantásticos, irosos,
Torcendo as ondas que se vão, bravias
Pelas nuvens adentro, aos céus formosos,
Hoje cheios, porém, de asas sombrias.
Mares negros, revoltos, para cima
Rolando, desde os campos da vindima,
Desde os rosais às escarpadas fráguas.
Mares, assim, em convulsões rolando,
Convulsionando a terra, convulsando...
Feitos de todas as humanas mágoas.