Perto do filho, morto à bala, na emboscada
Que lhe fizera, à noite, o filho da Galdina,
Quando descia à praia, a alma martirizada
De Maria soluça e em pranto se amofina.
E, sob a luz do luar, suavíssima e nevada,
Que se estende no mar, na serra e na campina,
Uma sombra torneia as árvores da estrada:
Desce, chorando, a mãe daquela alma assassina.
Uma chora o que vai para a cova sombria;
E a outra, o que desceu às grades da enxovia,
Ambas da mesma dor no sangrento rastilho...
Mas, como mães que são, uma diz soluçando:
— “Maria, que o teu filho aos céus suba cantando”,
A outra, absorta, responde: “E eu perdoo o teu filho!”