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1865–1927

Madrugada de Abril

Juvêncio de Araújo Figueredo

Madrugada de Abril, poeirada de diamantes! Florescimento de um sagrado manto real, De que mundos do além, de que mundos distantes, Que lembram, cá debaixo, um eterno rosal...

De que mundos do além, de brilhos ofuscantes, Onde da dor não bate asas o vendaval, Desceu meu filho aos meus braços febricitantes, De tanta luta neste alto oceano do mal?

Se ele, agora, desceu, por acaso, do mundo De onde desci na dor, no tormento profundo, Para tanto chorar meus males, noite e dia, Madrugada de Abril, sejas-lhe a protetora,

E lhe desça à cabeça o azul da tua aurora, Do qual nos céus se fez o manto de Maria.

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