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1865–1927

Luísa

Juvêncio de Araújo Figueredo

A luz forte do sol queima como aguarrás. Mas a velhinha Luísa, à beira do riacho, A soalheira apanha... E ela, que é triste, traz O puríssimo olhar seguidamente baixo.

A sua vida é toda uma chaga mordaz, Como a de uma coivara em labareda, em facho. Triste vida augural, de soluços e ais, Espelhada na luz das águas do riacho!

E continua, a pobre, a lavar desde cedo, Longe da sombra amiga e fresca do arvoredo, De joelhos em terra. Entretanto, Luísa Nunca pôde lavar (sabe-o Deus) nessas águas

O enorme turbilhão das suas tristes mágoas, Nunca pôde lavar a dor que a martiriza!

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Luísa · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove