A luz forte do sol queima como aguarrás.
Mas a velhinha Luísa, à beira do riacho,
A soalheira apanha... E ela, que é triste, traz
O puríssimo olhar seguidamente baixo.
A sua vida é toda uma chaga mordaz,
Como a de uma coivara em labareda, em facho.
Triste vida augural, de soluços e ais,
Espelhada na luz das águas do riacho!
E continua, a pobre, a lavar desde cedo,
Longe da sombra amiga e fresca do arvoredo,
De joelhos em terra. Entretanto, Luísa
Nunca pôde lavar (sabe-o Deus) nessas águas
O enorme turbilhão das suas tristes mágoas,
Nunca pôde lavar a dor que a martiriza!