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1865–1927

Lenços de saudade

Juvêncio de Araújo Figueredo

As praias onde vive e dorme e sonha o mar! Praias de minha terra, elas são uns regaços Aos quais a gente atira, ansiosamente, os braços, Com desejos febris de neles descansar...

Ébrio do resplendor que se derrama no ar, Nesses longes sem fim, nos profundos espaços, E vem como um amparo a todos os cansaços, Eu junto às praias, sinto a alma sempre a cantar.

Pelas praias vivi e delas ainda guardo Muitas recordações de amores em que ardo, Quando as cobre da tarde o áureo fulgor do manto... Ah! numa tarde assim, eu te abracei, amada!

À hora do ocaso, à hora suave, à hora calada, Com lenços de saudade alagados de pranto.

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