Não te vejo, porém te sinto e é quanto basta...
E, ao te sentir, recordo o teu sereno vulto,
Às vezes muito claro e outras vezes oculto
Entre as sombras nas quais a morte nos arrasta.
É que a tua alma, embora imaculada e casta,
Das glórias imortais no supremo tumulto,
Desce à gleba do mundo atroz, do mundo inculto,
Que das asas do amor, tão trágico, se afasta.
Acompanho-a, no entanto, aos campos enflorados,
Aos bosques, aos vergéis, às florestas, aos prados;
E dos morros azuis aos caminhos mais planos.
E compreendo, então, quando os ombros me voltas,
Que em tudo, neste mundo, há lágrimas revoltas,
De tédio e de amargura enchendo os oceanos!