Meu neto, a infância é um botão de rosa
Que se esconde entre as folhas da roseira.
Numa linda manhã alvissareira
Embalada na brisa silenciosa.
Não o inquieta a abelha vaporosa,
Nem o zangão lhe dá fatal canseira...
Deixa-o ali estar a vida inteira,
A ave daninha, a mais ambiciosa.
Mas flor aberta à viva alacridade
Do céu azul, será a mocidade,
Cheia de seiva em dias de verão.
E quando desfolhada (Eu já to disse)
Será por certo o emblema da velhice,
No atro caminho da desilusão.