Mas, como tudo morre, assim também a minha
Mocidade morreu, ou, então, se transformou.
Morta, num campo raso há tempos se enterrou,
Ou transformada foi em célere andorinha.
Na quadra em que ela a força e os claros sonhos tinha,
Ela própria, ao clarão do sol, flores plantou.
E essas flores, depois, o flavo sol mirrou,
O sol que sempre e sempre acariciá-las vinha!
Morta, foi ser, na cova, o que a cova consome:
Unicamente pó, sem o mais simples nome,
Nos braços de urna cruz de consolo e piedade.
Mas, transformada, é toda uma ave delicada,
Que me vem ao beiral das telhas, descuidada,
Trazer, de quando em quando, a mais triste saudade!