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1865–1927

Incautos desejos

Juvêncio de Araújo Figueredo

Foram-se à pescaria os barcos da enseada, Do vento brando sob as asas invisíveis... E, agora, é agitação funesta, desenfreada, O mar! O vento e o mar são dois seres terríveis!

Mas, nos barcos que vão, às vezes, na calada Das tardes, para o largo, há peitos insensíveis, Que não creem que o mar lhes teça, na lestada, Depois, uma mortalha e túmulos horríveis!

E a tempestade veio, ululando, ululando... E quem diria, ó céus? Quantos barcos voltando, E quantos, no costão, de chofre, naufragados! Assim são, de minha alma, os incautos desejos:

Vivem sob a ilusão dos sonhos benfazejos, Mas vivem muito mais contra a dor atirados!

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