Foram-se à pescaria os barcos da enseada,
Do vento brando sob as asas invisíveis...
E, agora, é agitação funesta, desenfreada,
O mar! O vento e o mar são dois seres terríveis!
Mas, nos barcos que vão, às vezes, na calada
Das tardes, para o largo, há peitos insensíveis,
Que não creem que o mar lhes teça, na lestada,
Depois, uma mortalha e túmulos horríveis!
E a tempestade veio, ululando, ululando...
E quem diria, ó céus? Quantos barcos voltando,
E quantos, no costão, de chofre, naufragados!
Assim são, de minha alma, os incautos desejos:
Vivem sob a ilusão dos sonhos benfazejos,
Mas vivem muito mais contra a dor atirados!