Sopra rijo o nordeste. Anselmo vem à popa
De um leve batelão. Vem, contente, a cantar...
Nem se lembra que está sobre as ondas do mar;
E, destemido, d’água o largo pano ensopa.
A leve embarcação embaraços não topa,
Metida a quilha ao vento... É um pássaro a voar...
Rumo da praia irá, num seio descansar,
De bojo para cima, embutido de estopa.
Mas, junto ao Cambirela, onde há um precipício
Que a tanta gente dá o eterno sacrifício
Da morte, ei-la emborcada, a leve embarcação.
E nunca mais ninguém viu o pobre do Anselmo;
Menos quem tanto o amou, e, na luz do santelmo,
Parece vê-lo sempre... E crê nessa ilusão!