E Valésia me disse: “O meu pequeno barco,
Feito de casca de laranja tangerina,
Vejo-o também no mar, pois ele se destina
A procurar na vida o mais seguro marco”.
E o leve bergantim, de esvelta proa em arco,
Tendo por bujarrona uma luz cristalina,
Desceu e fez-se ao mar, nessa noite divina...
E aonde se achava o meu? Aonde estava o meu barco?
O meu, bem junto ao dela, ei-lo tranquilamente,
Pelas vagas afora... (E uma porção de gente,
Ao vê-lo assim, mordia indiscretas perguntas...)
Mas, todo o nosso olhar não via senão uma
Luz, muito distante... ao longe... além... na bruma...
Eram, no mesmo sonho, as nossas almas juntas!...