Sem a luz dos teus olhares
Vivo em campo de pesares.
Sem o mel da tua boca,
A minha alma faz-se louca.
Sem o amoroso agasalho
Dos teus seios, que trabalho!
Sem os dúlcidos carinhos
Das tuas mãos, que caminhos!
Sem o olor dos teus cabelos
De seda, que pesadelos!
Sem a voz das tuas falas
Que silêncio de senzalas!
Sem o calor da tua pele
A dor à morte me impele.
Sem teu amor, com certeza,
Quem será a minha mesa?
E assim vivendo, minha alma
Por acaso terá calma?
Terá, por acaso, vida
No meio desses cansaços,
Se não me deres, querida,
O amparo dos teus braços?