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1865–1927

II

Juvêncio de Araújo Figueredo

Assim pensava a tia Eufrásia, uma velhinha Da cabeça da qual a neve não caía, Servindo-lhe de touca, a noite inteira e ao dia. Mesmo rente ao calor do fogo, na cozinha.

E acrescentava, a orar: — “Em toda a vida minha Nunca pude saber a razão da alegria, Do Judas se malhar, dessa forma daninha, E reduzi-lo a gente a pó de cinza fria...

É que o amado, o querido, o inefável Jesus. Ao morrer, como nós sabemos, numa cruz, A todos perdoou, de olhos fitos na altura. E, se a todos perdoou, porque eles não souberam

O que, cheios de fel e vinganças fizeram, Judas viu-se na luz dessa mesma ternura...

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II · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove