Assim pensava a tia Eufrásia, uma velhinha
Da cabeça da qual a neve não caía,
Servindo-lhe de touca, a noite inteira e ao dia.
Mesmo rente ao calor do fogo, na cozinha.
E acrescentava, a orar: — “Em toda a vida minha
Nunca pude saber a razão da alegria,
Do Judas se malhar, dessa forma daninha,
E reduzi-lo a gente a pó de cinza fria...
É que o amado, o querido, o inefável Jesus.
Ao morrer, como nós sabemos, numa cruz,
A todos perdoou, de olhos fitos na altura.
E, se a todos perdoou, porque eles não souberam
O que, cheios de fel e vinganças fizeram,
Judas viu-se na luz dessa mesma ternura...