Por que parti? Certamente
Porque no Azul florescente
De luxuriosas estrelas,
Eu te vi, do meio delas,
Partir, com saudade, à terra
Que agora o teu corpo encerra
Nas suas ânsias e mágoas,
Tão revoltas como as águas
De um rio a rolar de bruços
Pelo Vale dos Soluços...
E como ficasse eu triste,
No momento em que partiste,
Parti também, desse jeito,
Para te ver junto ao peito,
E beijar os teus cabelos
Aveludados e belos:
E beijar teus olhos pretos,
Esses ricos amuletos;
E beijar a flor graciosa
Da tua boca cheirosa;
E beijar as tuas faces,
Da frescura das alfaces;
E beijar tuas orelhas,
Como as rútilas abelhas
Beijam loucamente as flores,
E lhes sugam seus olores;
E beijar, com alvoroço,
O marfim do teu pescoço;
E beijar, mudo de anseios,
Os liriais dos teus seios;
E beijar sempre os teus dedos,
As chaves dos meus segredos;
E beijar as curvas doces
Dos teus pés, como se fosses
Uma encantada princesa,
Alma branca de pureza;
Alma branca e alvissareira
Como a ,
Chegada de uma viagem
Na qual eu fosse o seu pajem.