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1865–1927

I

Juvêncio de Araújo Figueredo

Por que parti? Certamente Porque no Azul florescente De luxuriosas estrelas, Eu te vi, do meio delas,

Partir, com saudade, à terra Que agora o teu corpo encerra Nas suas ânsias e mágoas, Tão revoltas como as águas

De um rio a rolar de bruços Pelo Vale dos Soluços... E como ficasse eu triste, No momento em que partiste,

Parti também, desse jeito, Para te ver junto ao peito, E beijar os teus cabelos Aveludados e belos:

E beijar teus olhos pretos, Esses ricos amuletos; E beijar a flor graciosa Da tua boca cheirosa;

E beijar as tuas faces, Da frescura das alfaces; E beijar tuas orelhas, Como as rútilas abelhas

Beijam loucamente as flores, E lhes sugam seus olores; E beijar, com alvoroço, O marfim do teu pescoço;

E beijar, mudo de anseios, Os liriais dos teus seios; E beijar sempre os teus dedos, As chaves dos meus segredos;

E beijar as curvas doces Dos teus pés, como se fosses Uma encantada princesa, Alma branca de pureza;

Alma branca e alvissareira Como a , Chegada de uma viagem Na qual eu fosse o seu pajem.

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