Lá ficou no caminho
Um trêmulo velhinho
Cuja cabeça está coberta de alvo linho.
Perguntei-lhe porque não vinha à tua ermida
E ele me respondeu:
— Porque não posso andar;
Tenho a perna direita atrozmente partida;
E a esquerda adoeceu
Nas friagens do mar, nas labutas do mar...
Mas ficarei rezando,
No caminho,
Uma oração
Na qual irá voando
Todo este aflito coração,
Até ficar juntinho
Do altar
Dessa que é nossa Mãe, por ser Mãe de Jesus:
Dessa que nos conduz
Eternamente os passos,
Sob a piedosa cruz, a misericordiosa cruz
Para sempre bendita dos seus braços.
E prosseguiu, depois, o trêmulo velhinho:
— Dize à Nossa Senhora
Que eu não vou,
Porque a minha perna se quebrou.
E não subo sozinho
Esse caminho
Cheio de tanto espinho...