Olhos que sois os límpidos riachos
Dos sonhos, das quimeras, dos encantos...
Uvas de Samos, de misteriosos cachos,
Para alucinamentos e quebrantos...
Olhos que sois os sedutores fachos
Da luz do afago, que se desfaz em mantos...
Olhos que, quando merencóreos, baixos,
Lavam-se, castos, em piedosos prantos.
Dizei-me, riachos de inefáveis vinhos,
Se os vossos leves, fluídicos carinhos
Algum dia terão de andar no etéreo,
Ou, tristes, tristes, dolorosamente,
Nos dois buracos da caveira algente,
Na irônica mudez do cemitério!