“Ana, o que hei de fazer para fugir ao medo
Que me sacode o dia inteiro, a noite inteira,
Dentro de minha casa, ou à sombra do arvoredo,
E mesmo à luz do sol cantando na lareira?”
“Ouço à concha do ouvido a toada de um segredo
Horrível, como a duma alma de feiticeira...
Talvez a voz da morte, a chamar-me ao degredo
Da cova, nesse chão, sem luz meiga e fagueira”:
“Ora, deves beijar, Maria, os pés gelados
De um defunto qualquer, que eles te levarão
Todo o medo brutal... e viverás contente...”
E, três meses depois, entre prantos magoados,
De joelhos, Maria, ao lado de um caixão,
Beijava os pés do noivo, alucinadamente.