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1865–1927

I

Juvêncio de Araújo Figueredo

“Ana, o que hei de fazer para fugir ao medo Que me sacode o dia inteiro, a noite inteira, Dentro de minha casa, ou à sombra do arvoredo, E mesmo à luz do sol cantando na lareira?”

“Ouço à concha do ouvido a toada de um segredo Horrível, como a duma alma de feiticeira... Talvez a voz da morte, a chamar-me ao degredo Da cova, nesse chão, sem luz meiga e fagueira”:

“Ora, deves beijar, Maria, os pés gelados De um defunto qualquer, que eles te levarão Todo o medo brutal... e viverás contente...” E, três meses depois, entre prantos magoados,

De joelhos, Maria, ao lado de um caixão, Beijava os pés do noivo, alucinadamente.

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I · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove