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1865–1927

I

Juvêncio de Araújo Figueredo

Quero o amparo dos teus braços Aos meus contínuos cansaços, Pois eu ando neste mundo, Neste degredo profundo,

Como anda o Judeu lendário Cada vez mais solitário, Cada vez mais aflitivo, Com o coração cativo

A mais tristíssimas ânsias Tão grandes como as distâncias Dos desertos africanos Onde no atro sol dos anos

Só podemos ver miragens Nas suas tristes paisagens De areais escaldadores, Que têm por brisa os furores

E os formidáveis lamentos Dos tredos, pesados ventos... Quero o amparo dos teus braços Aos meus contínuos cansaços,

Pois eu, na estrada em que sigo, Preciso de um peito amigo, Que me dê a fortaleza Da sua alma sempre presa

Às asas da Caridade Que é o maior bem, na verdade, Que ainda na terra existe, Para não vê-la tão triste,

Abrindo às almas as covas Da atroz descrença, onde as trovas Sinistras dos vermes vagam, E em nenhum tempo se apagam.

Amparado nos teus braços, Deixarei de ter cansaços, E de ter grande saudade Do tempo da mocidade,

Onde jamais tive amores Senão cortado de dores, E de amarguras de tédio, Para as quais não há remédio.

Mas como sei que me queres, Ó rainha das mulheres, O amparo por mim pedido Deve ser por ti ouvido,

Porque não te peço mais Do que (na Estrada dos Ais, Que é ainda cheia de sonhos Os mais belos e risonhos),

Pede o infeliz do mendigo Que não tem água nem trigo, Nem manto a cobrir-lhe os ombros, E, assim, percorre os escombros

Pelos dias invernais, Na triste Estrada dos Ais...

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