Num galho de figueira, aberto sobre a estrada
Que esse sábado enchia, estivava de luz,
Bizarramente, toda a alegre meninada
Via a imagem de quem atraiçoara Jesus.
Era um Judas de pano. A cara mal pintada,
E a cabeça, metida em nojento capuz,
Davam toda a expressão de uma alma abandonada,
Como a de um mocho sobre os braços de uma cruz.
E, quando a luz do sol desceu do espaço, a pino,
E, álacre, repicou na alva capela o sino,
Toda essa meninada, esquecendo o perdão,
Tratou de apedrejá-lo e arrastá-lo e queimá-lo,
Sem, no entanto, pensar que devemos amá-lo,
Porque Judas, na terra, é também nosso irmão.