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1865–1927

I

Juvêncio de Araújo Figueredo

Num galho de figueira, aberto sobre a estrada Que esse sábado enchia, estivava de luz, Bizarramente, toda a alegre meninada Via a imagem de quem atraiçoara Jesus.

Era um Judas de pano. A cara mal pintada, E a cabeça, metida em nojento capuz, Davam toda a expressão de uma alma abandonada, Como a de um mocho sobre os braços de uma cruz.

E, quando a luz do sol desceu do espaço, a pino, E, álacre, repicou na alva capela o sino, Toda essa meninada, esquecendo o perdão, Tratou de apedrejá-lo e arrastá-lo e queimá-lo,

Sem, no entanto, pensar que devemos amá-lo, Porque Judas, na terra, é também nosso irmão.

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I · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove