Quando vês o vovô, dás gargalhadas
Que parecem tilintos de ouro e prata,
Ou a música d’água da cascata
Que corta os campos verdes e as estradas.
E dás palmas então, muito engraçadas,
Nas quais tua alma virgem se arrebata
A mundos que nem sei! Talvez à cata
De quem possa aplaudi-la, horas contadas.
Mas fico, às vezes, bem desconfiado,
Que estejas, meu formoso neto amado,
Rindo da branquidão dos meus cabelos,
Que é a neve que cai das invernias
Cheias de tédio e de melancolias,
Nas estepes cruéis dos pesadelos.