Foste tu mesma que a prisão fizeste
Para o teu corpo fluídico habitar...
E agora queres para o azul celeste,
Rufiando as asas, célere, voar...
E quando à vida terreal vieste,
Por acaso estarias a sonhar?
E o que do espaço olímpico trouxeste?
E amaste como a gente deve amar?
Prendeste as asas à prisão sombria
Da carne, e queres ter toda a alegria
De uma ave solta à luz da madrugada!
Mas não queiras voar, dessa maneira,
Porque, jamais! na hora derradeira,
Grãos de trigo terás para a jornada.