Nossa Senhora, um dia, me encontrou
Na tenebrosa Rua da Amargura,
E como eu soluçasse, soluçou,
Plena da mais dulcíssima ternura.
Os olhos tristes, tristes, me fitou,
De uma maneira piedosa e pura;
E, depois de uma pausa, perguntou
Se a minha vida era noite escura...
E eu lhe disse que sim, a soluçar
Como soluça junto à praia o mar,
Quando dos astros não se estende o brilho.
Nisso, Nossa Senhora respondeu,
De mãos erguidas para o azul do céu:
Chora e soluça, ó meu querido filho!