De onde vieste, assim medrosa, assim tremendo,
Duvidando talvez do amor que em mim se inflama?
No entanto, vou nos teus negros olhos revendo
A ventura de quem há tantos anos ama.
Sou um grande faquir; vivo em teus olhos lendo...
Sinto nas tuas mãos a tua vida em chama.
Olha, vieste do Além; vieste aflita, descendo,
Pois o teu corpo fora, em outros tempos, lama...
Fazes parte da eterna e sublime falange
Dos seres imortais, que o céu sereno abrange.
Percorreste, comigo, outrora essas alturas...
Por isso é que, de novo, aqui nos encontramos,
Sem sabermos, talvez, o quanto nos beijamos
Sob as asas do amor ou de negras torturas!