Para quem traz o olhar profundamente aflito,
Nas violetas da dor, de uns olhos que parecem
Em cada pranto ter a atra expressão de um grito;
E em cada grito ter ânsias que à cova descem...
Para quem traz o olhar nesse anseio infinito,
E o sente à viva flor dos olhos que se aquecem
Nos incêndios fatais de um tormento maldito,
Cavado num mistério onde os sonhos fenecem.
Para quem traz o olhar nesse atroz desatino,
Não há prazer na terra, embora o mais divino
Em resumos de amor tranquilo como os lagos.
Para o olhar que assim vaga, anda por toda a terra,
A própria luz do sol, espiritualizada, encerra
Os desígnios fatais dos dias aziagos.