A tarde desce, a tarde alastra-se, cortada
De gaivotas voando, em contínuos rumores...
As copas dos ipês são ouro velho, em flores;
E a água do rio lembra uma harpa dedilhada...
Um féretro aparece e sobe a larga estrada
Sobre a qual, num repente, um turbilhão de cores,
Vindas do ocaso em luz, bordado de esplendores,
Beija, de uma criança a face macerada.
E outras, chorando, vão lhe pegando nas alças
Do caixão de paninho azul, todas descalças
E rotas, sem chapéu; mas num silêncio enorme,
Porque lhes vai, ao lado, o austero mestre-escola,
De cuja alma, no entanto, uma prece se evola
Por aquele que junto à fria morte dorme.