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1865–1927

Enfermeira

Juvêncio de Araújo Figueredo

Só tu (e mais ninguém) sabes do que padeço; Sabes de que se veste a minha vida inteira. No meu leito de dor és a eterna enfermeira E o manto que me cobre, o teu cabelo espesso.

Quando de febre intensa, escaldante, adoeço, Vejo-te sempre e sempre à minha cabeceira. E me dás leite e mel, fervidos em chaleira; E sob as tuas mãos, docemente, adormeço...

Acordado que esteja, eu te vejo assentada Ao lado do meu leito, ou te vejo ajoelhada, A olhar Nossa Senhora, em seu nicho, num canto... E, se melhoro, então, vamos os dois à praia,

Bem cedo, de manhã, ou quando o sol desmaia... E toda a gente diz: — “Como se querem tanto.”

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