Só tu (e mais ninguém) sabes do que padeço;
Sabes de que se veste a minha vida inteira.
No meu leito de dor és a eterna enfermeira
E o manto que me cobre, o teu cabelo espesso.
Quando de febre intensa, escaldante, adoeço,
Vejo-te sempre e sempre à minha cabeceira.
E me dás leite e mel, fervidos em chaleira;
E sob as tuas mãos, docemente, adormeço...
Acordado que esteja, eu te vejo assentada
Ao lado do meu leito, ou te vejo ajoelhada,
A olhar Nossa Senhora, em seu nicho, num canto...
E, se melhoro, então, vamos os dois à praia,
Bem cedo, de manhã, ou quando o sol desmaia...
E toda a gente diz: — “Como se querem tanto.”