As asas negras, trágicas, abriste
Por sobre o mundo, de maneira tal,
Que todo o mundo se cobriu, tão triste,
Das sombras funestíssimas do mal.
E desde essa manhã que, odiando, viste,
Deixou, no mundo, de existir o sal;
E nem tão pouco da alegria existe
O claro e doce vinho original.
Tudo à sombra ficou das tuas asas:
O mar, o rio, o campo, e as próprias casas;
E, ainda, muito mais, o coração...
És, portanto, ó tristíssimo egoísmo,
O vampiro surgido do atro abismo
Da alma banida e tétrica de Adão.