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1865–1927

Dolorata

Juvêncio de Araújo Figueredo

Da dor tirei o seu bonito nome, Da dor que há nove meses consumia As entranhas do teu ventre, Maria, E que inda agora mesmo te consome.

Ah! que por isso a nossa filha dorme A quem na dor não vê um claro dia De redenção. E, cheia de alegria, Como um anjo do bem, aos céus assome.

Mas a nossa filhinha, de pequena Que era, não pôde suportar a dor Que lhe vazava o coração de pena. E na verdade é tudo assim, querida:

Quem sofre, sofre, seja como for! E o que é a dor senão a própria vida?

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Dolorata · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove