Da dor tirei o seu bonito nome,
Da dor que há nove meses consumia
As entranhas do teu ventre, Maria,
E que inda agora mesmo te consome.
Ah! que por isso a nossa filha dorme
A quem na dor não vê um claro dia
De redenção. E, cheia de alegria,
Como um anjo do bem, aos céus assome.
Mas a nossa filhinha, de pequena
Que era, não pôde suportar a dor
Que lhe vazava o coração de pena.
E na verdade é tudo assim, querida:
Quem sofre, sofre, seja como for!
E o que é a dor senão a própria vida?