O mar! E sempre o mar! Vejo-o todos os dias,
E me embalo nos seus feiticeiros encantos!
O mistério do mar! Que soluços e prantos
Às vezes ele encerra. E, às vezes, que alegrias!
Cinge-o o crepe augurai das densas invernias.
Mas, ei-lo agora, o mar, coberto de áureos mantos...
Certas vezes entoa alucinantes cantos;
Mas, às vezes, derrama as lágrimas mais frias!
E vai, de vaga em vaga, às praias e aos rochedos;
E conta-lhes do sonho os íntimos segredos;
E fala-lhes, talvez, dum sofrimento insano...
É lago e, ao mesmo tempo, é temeroso abismo;
É um recuo de medo e, ao mesmo tempo, heroísmo...
Ó coração do mar! Ó coração humano!