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1865–1927

Desanimada

Juvêncio de Araújo Figueredo

De olhos quase sem luz e lábios macilentos, E mãos como as de quem as regelou a morte, Vejo num carro, pelo escabroso recorte De um caminho que a tarde enche de tons nevoentos.

Amortalhada jaz nos desfalecimentos De uma moléstia atroz, sem confiar na sorte De afastar do seu peito a funesta coorte De tanta dor, ansiando em tristes pensamentos...

Estendida, depois, numa velha canoa Ruma ao velho hospital, envolta na garoa Que se alastra, gelada, às campinas agrestes! Pensa num filho e encharca as pálpebras de pranto,

No pavor que lhe dá, de longe, o Campo Santo, Com brancuras de ossada à sombra dos ciprestes.

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Desanimada · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove