De olhos quase sem luz e lábios macilentos,
E mãos como as de quem as regelou a morte,
Vejo num carro, pelo escabroso recorte
De um caminho que a tarde enche de tons nevoentos.
Amortalhada jaz nos desfalecimentos
De uma moléstia atroz, sem confiar na sorte
De afastar do seu peito a funesta coorte
De tanta dor, ansiando em tristes pensamentos...
Estendida, depois, numa velha canoa
Ruma ao velho hospital, envolta na garoa
Que se alastra, gelada, às campinas agrestes!
Pensa num filho e encharca as pálpebras de pranto,
No pavor que lhe dá, de longe, o Campo Santo,
Com brancuras de ossada à sombra dos ciprestes.