A gente sofre assim e vem depois a morte,
E triste nos conduz no seu carro funéreo,
Até o negro chão do augúrio cemitério,
Onde em mágoas soluçam o vento sul e o norte.
A gente sofre assim, nessa medonha sorte
Que este mundo amortalha em profundo mistério,
Sob a fria mudez da curva azul do etéreo;
E não há outro ser que mais ânsias suporte...
Antes, porém, que chegue a morte, ó minha amada,
Deixa que eu sonhe e faça uns versos na abençoada
Ermida do teu peito em flor, em cujo altar
A tua alma recorda a estrela da alvorada
Quando sobe, gloriosa, a montanha escarpada
Daquele campo de onde a gente avista o mar.