Quando eu parti de casa era a nossa filhinha
Tão tenra como um lírio e era da mesma altura
De uma garoa marinha, uma garça marinha,
Dessas que têm do arminho a imaculada alvura.
Hoje por certo está muito mais taludinha,
Pois já sabe pular na esteira de verdura,
Pelas mãos de quem é a sua vida e a minha,
E para quem eu sou o trigal da ventura.
Mas, como a vida é fel para quem vive ausente!
E eu me vejo sozinho, ante o mar inclemente,
Sozinho nesta praia, a olhar o espaço, em vão...
Ah! visse eu essa filha eternamente amada,
E tê-la-ia então contra o peito, abraçada,
Como a ovelhinha humilde à cruz de São João.