Ouro em barra, cristais, sardônicas, berilos,
Nas orgias da luz... Eis a tarde que desce
Por sobre a nitidez dos riachos tranquilos
E por sobre a esplanada, onde a relva floresce.
À sombra do arvoredo, ouvem-se alegres trilos
De aves, dessas que o ninho empenujado aquece.
O vagalume esvoaça; e despertam-se os grilos...
Tange o sino da ermida, evocando uma prece.
E a tarde vem descendo, amorosa, amorosa,
Como se fosse uma asa enorme e silenciosa,
Para tudo abranger, desde os campos ao mar,
E, piedosa, envolver as almas dos eleitos,
Que se esquecem da luta e vivem satisfeitos
Na glorificação da luz crepuscular!