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1865–1927

Crente

Juvêncio de Araújo Figueredo

Luz doce, a desse sol: — trigo em pó, peneirado Sobre os campos em flor e sobre o mar... Bendito Trigo da eterna mó do moinho sagrado, Para alento de quem na fome vive aflito.

E é todo um vinho bom, um vinho perfumado, A água verde do mar; e a que sobre o granito Dos morros corre, à sombra; ou sobre o descampado, Na harmonia suprema e eterna do infinito.

Com tanto trigo em pó e tanto vinho claro, Só se alegram, no entanto, em pleno mundo avaro, Os simples corações dos humildes, dos justos, Que na praia, ou no campo, alegremente vejo

Cheios de amor e crença e cheios do desejo De subirem, depois, aos altos céus vetustos.

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Crente · Juvêncio de Araújo Figueredo · Poetry Cove