Corvo sinistro, que se me apresentas,
Melancólica ave taciturna,
Que tens nas penas a visão noturna
Das frias luas-novas agourentas!
Corvo, corvo sinistro, das nevoentas
Plagas não sei de que esquecida furna,
Onde jamais cantava a luz diurna,
E sim a treva augúrea que alimentas!
Ó ave triste, que nas penas trazes
Todo o luto fatal dos satanases
Que buscam devorar um peito ansiado!
Responde, ó ave triste! ó luto eterno!
Serás um sonho que surgiu do inferno?
Serás o tédio corporificado?