Por que torturas vais passando, agora,
Por que negras torturas vais passando,
Tu, que possuías dentro da alma a aurora,
Que ia em brancos rosais se desfolhando.
E a esperança, que toda dor minora,
Vai, no entanto, na dor te aprofundando;
E a tua alma soluça, geme e chora,
Como quem vai por báratros passando.
É que, no mundo, o teu ideal mais santo,
Terá de ser seguidamente ungido
No soluço, gemido, e amargo pranto.
Mas vai, segue com crença, destemido;
Busca dos sonhos o bendito manto,
E chegarás, das glórias convencido.