Muito desejas a felicidade
Que os outros gozam, no rolar eterno
Do mundo vão! E vives na ansiedade
De tudo teres, até mesmo o inferno...
Nos bruscos murmurejos da cidade,
Quer haja estio abrasador, ou inverno,
Buscas fremente, em plena liberdade,
Das orgias a taça do falerno.
No entanto eu busco, para meu encanto,
Da luz do sol um pequenino manto,
Numa praia... num campo... na montanha...
E o único vinho, então, que me embriaga,
Bebo-o no amor de uma alma casta e maga,
Que há cem milhares de anos me acompanha.